Alagoas em fascículos: 200 anos de emancipação

Alagoas chega ao seu bicentenário de emancipação política e Gazeta lança fascículos para comemorar.

19/09/2017 às 10h35

No dia 15 de setembro, estiveram no Palato várias personalidades de Alagoas para o pré-lançamento dos fascículos que serão encartados no Jornal Gazeta. Os reitores do Cesmac, Dr. João Sampaio Filho e Douglas Apratto Tenório, juntamente com o pró-reitor João Sampaio Neto, pró-reitora Vera Romariz e o tesoureiro Estácio Valente compareceram. Segue, na íntegra, a reportagem da Gazeta:
"16 de setembro de 1817. Por estas bandas, a data soa um alarme: é o Dia da Emancipação Política de Alagoas. O dia em que o Estado ganharia o status de independente depois de declaração assinada pelo então rei de Portugal Dom João VI – o desmembramento, segundo historiadores, teria sido uma forma de punição a Pernambuco devido à Insurreição Pernambucana, além de um prêmio a Alagoas pela não adesão ao movimento republicano.
De lá pra cá, muita água rolou por debaixo dessa ponte: desde a nomeação do primeiro governador, Sebastião Francisco de Melo e Póvoas, até a transferência da capital para a beira-mar Maceió; do surgimento do primeiro presidente da República, o alagoano Deodoro da Fonseca, às brigas pelo poder que levaram ao Quebra de Xangô e à destruição de parte da cultura negra.
Para contar parte disso – e muito mais –, a Organização Arnon de Mello (OAM) lança, a partir desta terça-feira, 20, uma série de fascículos sobre a história de Alagoas. Encartados semanalmente para os assinantes da Gazeta de Alagoas, os capítulos do Alagoas 200 anos fazem um verdadeiro raio-x e passam pela formação histórica, econômica e geográfica das terras caetés.
Os textos são assinados pelos professores Douglas Apratto, Cármen Lúcia Santas, Rochana Campos e Cícero Péricles e ilustrados pelas fotografias de Hamilton Cruz, José Ronaldo e Ricardo Lêdo. Com patrocínio do governo, da Prefeitura de Maceió, da Braskem e do Sesi/Senai, serão 15 mil exemplares, que ainda ganharão um encadernamento de capa dura.
Ao todo, serão dez fascículos. O primeiro deles, que sai já na próxima semana, vai explicar melhor o que foi a Pindorama, a era da pré-história alagoana. “Pindorama é o nome que os antigos habitantes, nascidos antes da chegada dos colonizadores europeus, davam à sua terra, enternecidos; a terra-mãe que os abrigava, acolhia e dava meios para a sua sobrevivência. O paraíso perdido alagoano”, explica Apratto.
O folheto fala do “país dos alagoanos”, terra de um povo valente, local onde os índios lutaram, até o último momento, contra a colonização dos invasores – incluindo aí o emblemático episódio do naufrágio da nau Nossa Senhora da Ajuda, que culminou com o bispo Dom Pero Fernandes Sardinha devorado em Coruripe. Lugar ainda de cobiça dos franceses pelo pau-brasil e da Guerra do Açúcar no período holandês.
“Estivemos presentes na campanha abolicionista e na campanha republicana. O proclamador e o consolidador da República são alagoanos. E também tivemos papel de realce na continuidade da trajetória do novo regime instalado”, explica, nas páginas ainda a serem lançadas e adiantadas, em pequena parte, agora pelo Caderno B, o professor e vice-reitor do Centro Universitário Cesmac.
O capítulo fala ainda dos antepassados indígenas, da localização geográfica de cada grupo naquela época, da cultura nativa, da parte pré-histórica, das navegações portuguesas e espanholas – e do choque cultural com a chegada dos europeus – e da vulnerabilidade social que persiste até hoje, entre outros tópicos.
Além da Pindorama, o lançamento aborda ainda o período da colônica (fascículo do dia 27 de junho); a província (4 de julho); a República Velha (11); a República Nova (18); a formação da economia (25); a República Nova e a Modernidade (1º de agosto); o território, o clima e a paisagem (8); as expressões culturais (15) e a diversificação da matriz econômica (22).
Segundo o diretor-executivo da OAM, Luis Amorim, a edição histórica vai compilar todos os momentos mais importante desse bicentenário. A obra ainda será disponibilizada para as redes de ensino e deixará registrado para os estudantes – e ainda para todos os interessados na temática – o que deu relevo e corpo à formação de Alagoas enquanto Estado.
“É um registro dos dois séculos que Alagoas estará completando, mostrando todo o seu potencial econômico, seu conteúdo histórico. É uma forma de preservar isso. Temos muitos fatos importantes, muitas pessoas que deram suas vidas para termos uma Alagoas melhor. Tenho certeza que essa obra irá contemplar a todos, mostrando, entre tantas coisas boas e ruins, que temos grandes exemplos”, aponta.
Nome forte quando o assunto é economia, Cícero Péricles destaca também a importância dessa divulgação. “Os trabalhos do Instituto Arnon de Mello têm características comuns, são livros que, primeiro, saem em forma de fascículos, com grande tiragem, lidos por um público amplo e diversificado, e que, depois de encadernados, se transformam em livros que vão para as bibliotecas e para as mãos dos pesquisadores. Imagino que essas informações ajudam a entender Alagoas e, quem sabe, contribuem para melhorá-la”.
Já o professor Douglas Apratto destaca a necessidade de se conhecer a fundo o Estado. “Ninguém ama o que não conhece. A nossa história e nosso saber devem ser compartilhados e democratizados. Esse é o maior objetivo dessa obra. Ela contribui para reposicionar estrategicamente Alagoas com seus fazeres e saberes singulares. Com esse trabalho, ninguém sairá sem consequências de um mergulho na alma alagoana”.